Agora não basta buscar
nos livros de história
É preciso viver
em carne viva
a palavra
silenciada
o ato
amordaçado
o amanhã
que não chega
Há muros
por todo lado
erguidos
com cuspe
saliva
e arroto
Esvaída a força
a boca grita
Não há som
O vácuo
suga
a língua
que rola pela
escadaria
descendente
destruída
esbaforida
desmilinguida
Há um elevador
inexistente
que a ninguém
é dado usar
Parar
Paralisar
Desconstruir
Despossuir
No início era o verbo
E agora é o ato
Falso
Cadafalso
De um tempo
Não distraído