Quando as minhas memórias e as memórias de mim não existirem mais, ainda restará um tempo, um sol sobre a terra, e esse ar imóvel que as vezes sacoleja algum som nas árvores, nas pequenas rosas do vento, nos mistérios e no nada do mundo que nos rodeia. E eu acredito que será assim, um dia assim, como hoje, que será o amanhã de todos os meus amanhãs, de todos os amanhãs. Porque quando também não existirem mais os amanhãs, o tempo será outro, e outro ar imóvel de eternidade irá abraçar o mundo que nos consome. Mas hoje é esse tempo cíclico, linear e imutável que me inunda, com seu sol acalentador de um verão estático. Os sons e os coloridos, tão reais quanto incorpóreos, traduzem sensações indizíveis e eternas. Porque estavam aí, desde sempre. Infantil porque sempre com gosto de um ontem, esperança de um porvir e certeza de um nada.
Os turbilhões podem trazer inundações, a visão pode se tornar esmaecida pela fadiga, o tempo pode passar contado em cronômetros, as mãos podem se fechar pela ausência de respiração leve.
Mas no fim, esse será o destino.
Mas no fim, esse será o destino.
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