Estapearam Lima Barreto
Estropiaram Bispo do Rosário
E nos querem a todos
atônitos, afônicos,
apáticos, atávicos,
banguelas, sem sorriso
sempre negação
sempre falta,
sempre não.
Heróis da Pátria?
Que Pátria
Não me reconheço
nessas cores
emoções a flor da pele,
esperando a banda passar
Não me reconheço
a mim
a você
a eles
Quem são?
Quem somos?
Não reconheço,
Não encontro,
não sei,
não sei, não sei,
não sei
Ou sei?
Sei do ontem
e do amanhã
O hoje
Quem sabe?
Um homem
encarcerado
Lima Barreto
Bispo do Rosário
A razão
tão clara
escondida
atrás
das grades
Um voz
Não
Uma só
Não
Para calar
É preciso
mil
cálices
porque
o vinho
sempre
entorna
E escorre
pelo
chão
domingo, 21 de outubro de 2018
quinta-feira, 26 de abril de 2018
DISTRAÍDOS NÃO VENCEREMOS
Agora não basta buscar
nos livros de história
É preciso viver
em carne viva
a palavra
silenciada
o ato
amordaçado
o amanhã
que não chega
Há muros
por todo lado
erguidos
com cuspe
saliva
e arroto
Esvaída a força
a boca grita
Não há som
O vácuo
suga
a língua
que rola pela
escadaria
descendente
destruída
esbaforida
desmilinguida
Há um elevador
inexistente
que a ninguém
é dado usar
Parar
Paralisar
Desconstruir
Despossuir
No início era o verbo
E agora é o ato
Falso
Cadafalso
De um tempo
Não distraído
nos livros de história
É preciso viver
em carne viva
a palavra
silenciada
o ato
amordaçado
o amanhã
que não chega
Há muros
por todo lado
erguidos
com cuspe
saliva
e arroto
Esvaída a força
a boca grita
Não há som
O vácuo
suga
a língua
que rola pela
escadaria
descendente
destruída
esbaforida
desmilinguida
Há um elevador
inexistente
que a ninguém
é dado usar
Parar
Paralisar
Desconstruir
Despossuir
No início era o verbo
E agora é o ato
Falso
Cadafalso
De um tempo
Não distraído
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
DELÍRIO
Não pense que estou bêbada, meu bem,
Também não é pretinho ou branquinho,
Muito menos chá das cinco
Apenas a embriaguez dessa vida
viciante
Também não é pretinho ou branquinho,
Muito menos chá das cinco
Apenas a embriaguez dessa vida
viciante
sábado, 9 de dezembro de 2017
A BAÍA DE GUANABARA
A Baía de Guanabara
me lembra o mar Egeu
que eu não conheci,
com sua armada atracada
em conjecturas brumosas.
Ali cavalgam em navegações
celestes marinheiros de Ítaca
em sua busca e retorno
perdidos
Ao longo diviso mares, montanhas,
prados, e por momento me esqueço
dessas poderosas embarcações
que me ameaçam com sua
beleza de ferro
Sonho e luto,
Sou Helena, sou Ulisses,
Sou Penélope e Agamenon.
Todos esses gregos humanos
e semi-humanos que habitam em nós
me demonizam e me endeusam
Lanço velas ao mar,
mesmo em tempos de calmaria,
mas nada se compara
às embarcações do mar Egeu
da Baía de Guanabara
me lembra o mar Egeu
que eu não conheci,
com sua armada atracada
em conjecturas brumosas.
Ali cavalgam em navegações
celestes marinheiros de Ítaca
em sua busca e retorno
perdidos
Ao longo diviso mares, montanhas,
prados, e por momento me esqueço
dessas poderosas embarcações
que me ameaçam com sua
beleza de ferro
Sonho e luto,
Sou Helena, sou Ulisses,
Sou Penélope e Agamenon.
Todos esses gregos humanos
e semi-humanos que habitam em nós
me demonizam e me endeusam
Lanço velas ao mar,
mesmo em tempos de calmaria,
mas nada se compara
às embarcações do mar Egeu
da Baía de Guanabara
![]() |
| Foto: Paula Borges Bastos |
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
DIA DE PRAIA
Há cinco anos viviam juntos.
Aquela manhã foram à praia - o sol estava forte.
Esqueceram de levar os óculos escuros e o filtro solar
E quando se olharam se estranharam tanto, e tanto,
Que o amor acabou.
No fim do dia sobraram dois corpos vermelhos
e ardidos de sol
Aquela manhã foram à praia - o sol estava forte.
Esqueceram de levar os óculos escuros e o filtro solar
E quando se olharam se estranharam tanto, e tanto,
Que o amor acabou.
No fim do dia sobraram dois corpos vermelhos
e ardidos de sol
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
ELES NÃO PARAM DE JOGAR CADÁVERES EM NOSSA PORTA
Eu também não queria
esse cadáver na minha
porta, Affonso
Mas
Ali, atrás daquela árvore,
uma pessoa com enxada na mão
morreu com dois tiros certeiros
Eu vi.
ia colher os frutos de sua semeadura
lutava contra as ervas daninhas
perdeu o combate
Caiu
Eu vi.
No fim da longa avenida
que faz esquina com a rua
da minha casa
Um corpo.
Tão igual e tão diferente
do meu
Caído
Abandonado
Marcas por todo lado
Ali, do meu lado.
Eu vi.
Eu vejo, Affonso
Eu também não queria
Esse cadáver
na minha porta
Mas estão todos lá.
Acumulando cadáveres
Em minha porta, minha mente.
Tão difícil esse tempo que nos coube
Não se pode estar distraído um minuto
Que já nos retornam
Eles
Com seus cadáveres
O tempo todo a nos
reclamar
A nos impedir
de respirar
Ar puro
Ai, Affonso!
Eu também queria
Passear com você
Por Colônia,
que conheci,
Por Alhambra,
que quero conhecer.
Mas eles não param
De atirar cadáveres
a minha porta
Estão todos aí
Amontoados
Sem rosto
Sem voz
Quase não reconheço
Os sonhos
de cada um
Quase não reconheço
Os sonhos
Esvaídos
Que sugo
Entre os escombros
dos cadáveres
acumulados a minha porta
Enquanto eles riem
sem
pesadelo
esse cadáver na minha
porta, Affonso
Mas
Ali, atrás daquela árvore,
uma pessoa com enxada na mão
morreu com dois tiros certeiros
Eu vi.
ia colher os frutos de sua semeadura
lutava contra as ervas daninhas
perdeu o combate
Caiu
Eu vi.
No fim da longa avenida
que faz esquina com a rua
da minha casa
Um corpo.
Tão igual e tão diferente
do meu
Caído
Abandonado
Marcas por todo lado
Ali, do meu lado.
Eu vi.
Eu vejo, Affonso
Eu também não queria
Esse cadáver
na minha porta
Mas estão todos lá.
Acumulando cadáveres
Em minha porta, minha mente.
Tão difícil esse tempo que nos coube
Não se pode estar distraído um minuto
Que já nos retornam
Eles
Com seus cadáveres
O tempo todo a nos
reclamar
A nos impedir
de respirar
Ar puro
Ai, Affonso!
Eu também queria
Passear com você
Por Colônia,
que conheci,
Por Alhambra,
que quero conhecer.
Mas eles não param
De atirar cadáveres
a minha porta
Estão todos aí
Amontoados
Sem rosto
Sem voz
Quase não reconheço
Os sonhos
de cada um
Quase não reconheço
Os sonhos
Esvaídos
Que sugo
Entre os escombros
dos cadáveres
acumulados a minha porta
Enquanto eles riem
sem
pesadelo
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
DEDICATÓRIA
Aos
grandes sábios do poder,
inteligentíssimos senhores do comando,
ridículos, decrépitos e podres
charlatães do conhecimento,
eu dedico
essa poesia
sem sal
sem sol
sem sonho
grandes sábios do poder,
inteligentíssimos senhores do comando,
ridículos, decrépitos e podres
charlatães do conhecimento,
eu dedico
essa poesia
sem sal
sem sol
sem sonho
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