Não pense que estou bêbada, meu bem,
Também não é pretinho ou branquinho,
Muito menos chá das cinco
Apenas a embriaguez dessa vida
viciante
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
sábado, 9 de dezembro de 2017
A BAÍA DE GUANABARA
A Baía de Guanabara
me lembra o mar Egeu
que eu não conheci,
com sua armada atracada
em conjecturas brumosas.
Ali cavalgam em navegações
celestes marinheiros de Ítaca
em sua busca e retorno
perdidos
Ao longo diviso mares, montanhas,
prados, e por momento me esqueço
dessas poderosas embarcações
que me ameaçam com sua
beleza de ferro
Sonho e luto,
Sou Helena, sou Ulisses,
Sou Penélope e Agamenon.
Todos esses gregos humanos
e semi-humanos que habitam em nós
me demonizam e me endeusam
Lanço velas ao mar,
mesmo em tempos de calmaria,
mas nada se compara
às embarcações do mar Egeu
da Baía de Guanabara
me lembra o mar Egeu
que eu não conheci,
com sua armada atracada
em conjecturas brumosas.
Ali cavalgam em navegações
celestes marinheiros de Ítaca
em sua busca e retorno
perdidos
Ao longo diviso mares, montanhas,
prados, e por momento me esqueço
dessas poderosas embarcações
que me ameaçam com sua
beleza de ferro
Sonho e luto,
Sou Helena, sou Ulisses,
Sou Penélope e Agamenon.
Todos esses gregos humanos
e semi-humanos que habitam em nós
me demonizam e me endeusam
Lanço velas ao mar,
mesmo em tempos de calmaria,
mas nada se compara
às embarcações do mar Egeu
da Baía de Guanabara
![]() |
| Foto: Paula Borges Bastos |
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
DIA DE PRAIA
Há cinco anos viviam juntos.
Aquela manhã foram à praia - o sol estava forte.
Esqueceram de levar os óculos escuros e o filtro solar
E quando se olharam se estranharam tanto, e tanto,
Que o amor acabou.
No fim do dia sobraram dois corpos vermelhos
e ardidos de sol
Aquela manhã foram à praia - o sol estava forte.
Esqueceram de levar os óculos escuros e o filtro solar
E quando se olharam se estranharam tanto, e tanto,
Que o amor acabou.
No fim do dia sobraram dois corpos vermelhos
e ardidos de sol
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
ELES NÃO PARAM DE JOGAR CADÁVERES EM NOSSA PORTA
Eu também não queria
esse cadáver na minha
porta, Affonso
Mas
Ali, atrás daquela árvore,
uma pessoa com enxada na mão
morreu com dois tiros certeiros
Eu vi.
ia colher os frutos de sua semeadura
lutava contra as ervas daninhas
perdeu o combate
Caiu
Eu vi.
No fim da longa avenida
que faz esquina com a rua
da minha casa
Um corpo.
Tão igual e tão diferente
do meu
Caído
Abandonado
Marcas por todo lado
Ali, do meu lado.
Eu vi.
Eu vejo, Affonso
Eu também não queria
Esse cadáver
na minha porta
Mas estão todos lá.
Acumulando cadáveres
Em minha porta, minha mente.
Tão difícil esse tempo que nos coube
Não se pode estar distraído um minuto
Que já nos retornam
Eles
Com seus cadáveres
O tempo todo a nos
reclamar
A nos impedir
de respirar
Ar puro
Ai, Affonso!
Eu também queria
Passear com você
Por Colônia,
que conheci,
Por Alhambra,
que quero conhecer.
Mas eles não param
De atirar cadáveres
a minha porta
Estão todos aí
Amontoados
Sem rosto
Sem voz
Quase não reconheço
Os sonhos
de cada um
Quase não reconheço
Os sonhos
Esvaídos
Que sugo
Entre os escombros
dos cadáveres
acumulados a minha porta
Enquanto eles riem
sem
pesadelo
esse cadáver na minha
porta, Affonso
Mas
Ali, atrás daquela árvore,
uma pessoa com enxada na mão
morreu com dois tiros certeiros
Eu vi.
ia colher os frutos de sua semeadura
lutava contra as ervas daninhas
perdeu o combate
Caiu
Eu vi.
No fim da longa avenida
que faz esquina com a rua
da minha casa
Um corpo.
Tão igual e tão diferente
do meu
Caído
Abandonado
Marcas por todo lado
Ali, do meu lado.
Eu vi.
Eu vejo, Affonso
Eu também não queria
Esse cadáver
na minha porta
Mas estão todos lá.
Acumulando cadáveres
Em minha porta, minha mente.
Tão difícil esse tempo que nos coube
Não se pode estar distraído um minuto
Que já nos retornam
Eles
Com seus cadáveres
O tempo todo a nos
reclamar
A nos impedir
de respirar
Ar puro
Ai, Affonso!
Eu também queria
Passear com você
Por Colônia,
que conheci,
Por Alhambra,
que quero conhecer.
Mas eles não param
De atirar cadáveres
a minha porta
Estão todos aí
Amontoados
Sem rosto
Sem voz
Quase não reconheço
Os sonhos
de cada um
Quase não reconheço
Os sonhos
Esvaídos
Que sugo
Entre os escombros
dos cadáveres
acumulados a minha porta
Enquanto eles riem
sem
pesadelo
quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
DEDICATÓRIA
Aos
grandes sábios do poder,
inteligentíssimos senhores do comando,
ridículos, decrépitos e podres
charlatães do conhecimento,
eu dedico
essa poesia
sem sal
sem sol
sem sonho
grandes sábios do poder,
inteligentíssimos senhores do comando,
ridículos, decrépitos e podres
charlatães do conhecimento,
eu dedico
essa poesia
sem sal
sem sol
sem sonho
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
DECLARAÇÃO AO OBJETO AMADO
Eu te amo
Não pelo que você é, faz ou aparenta ser.
Na verdade eu te amaria
mesmo que você não existisse.
Na verdade eu amo amar
Só por isso te amo.
Não pelo que você é, faz ou aparenta ser.
Na verdade eu te amaria
mesmo que você não existisse.
Na verdade eu amo amar
Só por isso te amo.
domingo, 3 de dezembro de 2017
ÍTACA
Minha Ítaca, Kavafis, é cada vez mais distante...
Meus ciclopes constantemente impedem a jornada
O mar, belo e belicoso, impõe limite ao meu destemor
Imperioso caminhar por terra
E a terra é um labirinto, quando não se sabe voar
E Ítaca é uma prisão, quando não se sabe esperar
Tecendo
Meus ciclopes constantemente impedem a jornada
O mar, belo e belicoso, impõe limite ao meu destemor
Imperioso caminhar por terra
E a terra é um labirinto, quando não se sabe voar
E Ítaca é uma prisão, quando não se sabe esperar
Tecendo
sábado, 2 de dezembro de 2017
NA ROTINA CÍCLICA QUERO IMOBILIZAR O TEMPO
Para Cesário Verde
Perceber nos passos da madrugada
A promessa da manhã adormecida
Passear por ruas e paisagens
Com os olhos da atenção distante
Pessoas, postes e pontes
São partes preciosas
de um mundo particular
Amálgama de cores
e sobretons diluídos
nos sobressaltos das rusgas
de esquinas e calçadas
que soluçam sua indefinição.
A porta é o ponto.
Não há chegada e
nunca houve partida
Só o começo e o recomeço
do recomeço.
Quando os sons
do silêncio inundam
os ouvidos de êxtase
tudo se abre em explicações
não pedidas.
Não há fio condutor.
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
TERCEIRO MUNDO
Quero comer essa areia vermelha
mastigar giz branco e
ranger os dentes de noite
os olhos têm uma expressão
meio doentia
um não sei quê de
alguma coisa
a pele um amarelado
que pode ser dourado
de sol
o calcanhar, tal qual
o de Gabriela,
é duro, seco e rachado
(eu sonho com os pés no chão)
as mãos são pequenas,
mas mesmo paradas
estão a se mover
(quero tocar em tudo!)
A barriga parece
que vai estourar
(água, sangue ou outrem?)
O elefante branco
que quiseram me vender
eu deixei no quintal
A varanda
estou reformando
É que tenho vermes
de todos os tipos
E não quero me curar
Por isso tenho muita fome.
mastigar giz branco e
ranger os dentes de noite
os olhos têm uma expressão
meio doentia
um não sei quê de
alguma coisa
a pele um amarelado
que pode ser dourado
de sol
o calcanhar, tal qual
o de Gabriela,
é duro, seco e rachado
(eu sonho com os pés no chão)
as mãos são pequenas,
mas mesmo paradas
estão a se mover
(quero tocar em tudo!)
A barriga parece
que vai estourar
(água, sangue ou outrem?)
O elefante branco
que quiseram me vender
eu deixei no quintal
A varanda
estou reformando
É que tenho vermes
de todos os tipos
E não quero me curar
Por isso tenho muita fome.
quarta-feira, 29 de novembro de 2017
DESCUIDO
Eles não sabem
Que eu sei
Mas eu sei
Que eu sei
E que eles não sabem
Que eu sei
E mesmo assim
Muitas vezes
Me convencem
Que eu não sei
Que eu sei
Mas eu sei
Que eu sei
E que eles não sabem
Que eu sei
E mesmo assim
Muitas vezes
Me convencem
Que eu não sei
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